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	<title>tokuda igarashi. ZEN</title>
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	<pubDate>Wed, 22 Oct 2008 02:49:25 +0000</pubDate>
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		<title>Comentários aos 10 desenhos do Boi</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Oct 2008 02:49:25 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Os dez desenhos dos boi representam dez estágios na pratica do budismo na medida que o praticante prosegue no seu caminho. Cada desenho é acompanhado de uma curta prosa e de um curto poema. Mestre Tokuda comenta alguns destes dez desenhos durante um sesshin em Paris em 24 de novembro de 1995. O texto está [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os dez desenhos dos boi representam dez estágios na pratica do budismo na medida que o praticante prosegue no seu caminho. Cada desenho é acompanhado de uma curta prosa e de um curto poema. Mestre Tokuda comenta alguns destes dez desenhos durante um sesshin em Paris em 24 de novembro de 1995. O texto está disponível em pdf <a title="Comentários aos 10 desenhos do Boi" href="http://tokuda-igarashi.net/zen/wp-content/uploads/2008/10/Sesshin%20de%2024%20de%20Novembro%20de%201995%20em%20Paris%20b2.pdf">aqui</a>.
</p>
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		<title>Complexidade, sesshin de agosto em 2001 em Eitai-ji.</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Sep 2008 01:58:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[Neste conjunto de teishôs, proferidos em Eitai-ji em agosto de 2001, Mestre Tokuda comenta vários capítulos do Shobogenzo para falar da complexidade.

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://tokuda-igarashi.net/zen/wp-content/uploads/2008/09/21%20agosto%202001%20sesshin%20Eitai-ji.pdf">Neste conjunto de teishôs</a>, proferidos em Eitai-ji em agosto de 2001, Mestre Tokuda comenta vários capítulos do Shobogenzo para falar da complexidade.
</p>
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		<title>Jinzu e O-saku-sendaba: Sesshin de fim de semana em Paris em agosto de 2003</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 03:10:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
		
	<category>palestras / teishôs</category>
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		<description><![CDATA[Comentários de Mestre Tokuda a trechos extraídos de dois capítulos do Shobogenzo; Jinzu e O-saku-sendaba. Nestes teishôs Mestre Tokuda aborda as dificuldades humanas que podem surgir na relação entre Mestre e discípulo.
Aborda igualmente o grande poder sobrenatural do zen: o poder da vida cotidiana. A importância de levar a iluminação de volta para a vida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Comentários de Mestre Tokuda a trechos extraídos de dois capítulos do Shobogenzo; <em>Jinzu</em> e <em>O-saku-sendaba</em>. Nestes <a href="http://tokuda-igarashi.net/zen/wp-content/uploads/2008/09/Sesshin%20de%20Agosto%20de%202003%20em%20Paris.pdf">teishôs</a> Mestre Tokuda aborda as dificuldades humanas que podem surgir na relação entre Mestre e discípulo.</p>
<p>Aborda igualmente o grande poder sobrenatural do zen: o poder da vida cotidiana. A importância de levar a iluminação de volta para a vida cotidiana e de tornar cotidiana a prática religiosa, citando a interpretação de Meister Eckhart da parábola de Marta e Maria e a frase do leigo P&#8217;ang:</p>
<p>&#8220;O poder místico é a função maravilhosa,<br />
Transportar água e cortar lenha para o fogo&#8221;.
</p>
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		<title>Gyoji 2, a pratica incessante. Seshin de fim de semana em Paris em Abril de 2002</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Aug 2008 16:45:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
		
	<category>palestras / teishôs</category>
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		<description><![CDATA[Após o comentário à primeira parte do capítulo Gyoji (do Shobogenzo) feita no seshin de final de semana em março de 2002 em Paris, segue-se o comentário à segunda parte do capítulo (por isso Gyoji 2), realizado no seshin seguinte de final de semana em abril de 2002, igualmente em Paris.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Após o comentário à primeira parte do capítulo Gyoji (do Shobogenzo) feita no seshin de final de semana em março de 2002 em Paris, segue-se o <a href="http://tokuda-igarashi.net/zen/wp-content/uploads/2008/08/24%20Sesshin%20de%20Abril%20de%202002.pdf">comentário à segunda parte do capítulo</a> (por isso Gyoji 2), realizado no seshin seguinte de final de semana em abril de 2002, igualmente em Paris.
</p>
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		<title>Gyoji. Sesshin de fim de semana em Paris em março de 2002</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Aug 2008 02:35:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
		
	<category>palestras / teishôs</category>
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		<description><![CDATA[Publicado mais um conjunto de teishôs de Mestre Tokuda. Estes teishôs ocorreram durante um sesshin de fim de semana em Paris em março de 2002. Nestes teishôs, Mestre Tokuda comenta trechos do capítulo Gyoji do Shobogenzo de Mestre Dogen, abordando as relações entre prática e iluminação.

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado mais um <a href="http://tokuda-igarashi.net/zen/wp-content/uploads/2008/08/23%20marco2002.pdf">conjunto de teishôs de Mestre Tokuda</a>. Estes teishôs ocorreram durante um sesshin de fim de semana em Paris em março de 2002. Nestes teishôs, Mestre Tokuda comenta trechos do capítulo Gyoji do Shobogenzo de Mestre Dogen, abordando as relações entre prática e iluminação.
</p>
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		<title>DOZEN, o zen da terra. Sesshin de 1999 em Moulin de Vaux</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Aug 2008 02:31:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
		
	<category>palestras / teishôs</category>
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		<description><![CDATA[Publica-se agora um conjunto de teishôs dados em 1999 em Moulin de Vaux. Estes teishôs tem por tema o zen da terra - DOZEN - e foram proferidos no inicio da implantação de Eitai-ji. Dessa forma, os teishôs enfocam o que foi inicio do zen na China e como essa época deve servir de inspiração [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Publica-se agora um <a href="http://tokuda-igarashi.net/zen/wp-content/uploads/2008/08/_9%20agosto%20de%201999%20editado.pdf">conjunto de teishôs</a> dados em 1999 em Moulin de Vaux. Estes teishôs tem por tema o zen da terra - DOZEN - e foram proferidos no inicio da implantação de Eitai-ji. Dessa forma, os teishôs enfocam o que foi inicio do zen na China e como essa época deve servir de inspiração para a prática de mosteiro hoje. Casos do Mestre Hyakujo (autor da frase <em>Um dia sem trabalho é um dia sem comida</em>), Mestre Isan, Mestre Obaku são citados assim com referências a diversos tipos de atividades dos monges nos mosteiros, como diferentes tipos de samu e a pratica de mendicância.</p>
<p>No teishô final, Mestre Tokuda apresenta uma lista de projetos para serem implantados em mosteiros.
</p>
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		<title>Budas e Patriarcas: Sesshin de junho em Paris</title>
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		<pubDate>Tue, 06 May 2008 01:51:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
		
	<category>palestras / teishôs</category>
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		<description><![CDATA[Conjunto de três teishôs dados durante um sesshin de fim de semana que aconteceu em Paris em junho de 2002. Estes teishôs foram originalmente publicados na Lettre de Maha Muni nº28. Este conjunto de teishôs comenta trechos do Shobogenzo de Dogen Zenji e versa sobre a transmissão do Dharma: como esta se deu da India [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conjunto de três teishôs dados durante um sesshin de fim de semana que aconteceu em Paris em junho de 2002. Estes teishôs foram originalmente publicados na Lettre de Maha Muni nº28. Este conjunto de teishôs comenta trechos do Shobogenzo de Dogen Zenji e versa sobre a transmissão do Dharma: como esta se deu da India para a China e os problemas que essa mesma transmissão enfrenta hoje para se firmar no Ocidente.</p>
<p>Os teishos estão disponiveis em anexo em arquivo <a href="http://tokuda-igarashi.net/zen/wp-content/uploads/2008/08/Sesshin%20de%20junho%20de%202002,%20Paris%20Vers%C3%A3o%20editada%20FINAL.pdf">pdf</a>.
</p>
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		<title>Sexto Teishô do Sesshin de Junho de 2005 em Eitai-ji</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Dec 2006 18:48:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
		
	<category>palestras / teishôs</category>
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		<description><![CDATA[TEISHÔ Nº6

Vamos continuar a falar do kalpa da vacuidade, com o caso #40 do Eihei Goroku:

A intantaneidade de Yangshan

Yangshan perguntou ao grande Gui(shan): &#8220;Quando as centenas de milhares de fenômenos aparecem ao mesmo tempo, o que se pode fazer?&#8221;
Guishan disse: &#8220;Azul não é amarelo; o longo não é o curto. Todos os dharmas permanecem em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left" style="page-break-before: always"><strong><font size="3">TEISHÔ Nº6</font></strong></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Vamos continuar a falar do kalpa da vacuidade, com o caso #40 do Eihei Goroku:</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p class="c-citação-western"><font size="3">A intantaneidade de Yangshan</font></p>
<p class="c-citação-western">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Yangshan perguntou ao grande Gui(shan): &#8220;Quando as centenas de milhares de fenômenos aparecem ao mesmo tempo, o que se pode fazer?&#8221;</font></p>
<p class="c-citação-western"><font size="3">Guishan disse: &#8220;Azul não é amarelo; o longo não é o curto. Todos os dharmas permanecem em suas próprias posições e não tenho nada a ver com isso&#8221;. </font></p>
<p class="c-citação-western"><font size="3">Imediatamente Yangshan fez prosternações.</font></p>
<p class="c-citação-western">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Falar da substância antes do som terrificante.</font></p>
<p class="c-citação-western"><font size="3">Nas dez mil montanhas, os bambus racham e os cucos cantam.</font></p>
<p class="c-citação-western"><font size="3">A andorinha que voa alto faz um ninho de lama no solo.</font></p>
<p class="c-citação-western"><font size="3">Quando compramos um chapéu, ele é do mesmo tamanho que a cabeça.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3"><br />
Este é o caso de Isan e de Kyozan (Kyozan pertencia à escola Igyo, uma das &#8220;cinco escolas&#8221;). Kyozan perguntava a Isan: &#8220;O que acontece quando as milhares de fenômenos se manifestam ao mesmo tempo?&#8221; Isan respondeu: &#8220;Azul não é amarelo; o longo não é o curto. Todos os dharmas permanecem em suas próprias posições e não tenho nada a ver com isso&#8221;. Com isso Kyozan se prosternou.</font>
</p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">É um caso maravilhoso, que pode ser comparado com o &#8220;Sansuikyo&#8221;, onde está dito que &#8220;montanhas e rios permanecem no <em>Dharma</em>, tendo realizado a virtude última&#8221;, a saber que elas permanecem tais quais são. É isto, a coisa última da filosofia.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Dogen Zenji acrescenta a este caso um comentário sob forma de verso:</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p class="c-citação-western"><font size="3"><em>Falar da substância antes do som terrificante/Nas dez mil montanhas os bambus racham e os cucos cantam/A andorinha que voa alta faz um ninho de lama no chão/Quando compramos um chapéu, ele é do mesmo tamanho que a cabeça.</em></font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Isso também é falar de <em>shoho jisso</em> &#8220;todos os fenômenos são a verdadeira forma&#8221;, todos os fenômenos, junto com os fenômenos, são a forma verdadeira. Na origem, não existe senão &#8220;somente um&#8221;, e este é <em>shoho jisso</em> ou <em>tatatha</em>: o azul é azul, o amarelo é amarelo, a figueira produz somente figos, a cerejeira produz somente cerejas. O capítulo &#8220;Uji&#8221;, &#8220;o ser-tempo&#8221;, fala de pinheiros ou crisântemos (que pode ser comparado com o pensamento de Heidegger); Cada um destes fenômenos permanece tal qual é, sem que eu possa mudar nada que seja deles. Querer conhecer absolutamente a origem dos fenômenos como querem os filósofos é tão patético quanto procurar a cereja atrás da casca da cerejeira, como se o fruto estivesse no interior da árvore. Quando vem a primavera, as flores se abrem, simplesmente isso, e não importa o que se faça, elas se abrirão no momento quando elas devem fazê-lo, porque se trata aqui da manifestação anterior, que Mestre Dogen exprime no primeiro verso da poesia que acabamos de ler: &#8220;<em>falar do fenômeno antes do som terrificante</em>&#8221;.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">É estranho, porque este &#8220;som terrificante&#8221;, em japonês <em>ion-e </em>é o nome do templo de Nakamura san e o nome da montanha é daiki-san &#8220;montanha da grande energia&#8221; ou &#8220;da grande função &#8220;de antes&#8221;. Nós já estudamos o capítulo &#8220;Shoho-jisso&#8221; &#8220;Todos os fenômenos são a forma verdadeira&#8221; e nós nos lembramos desta expressão &#8220;os bambus racham e os cucos cantam&#8221;. Todos os fenômenos são a forma verdadeira, aqui está compreendido a andorinha que faz seu ninho nos tetos das casas e às vezes mesmo no interior delas. (Em Eitai-ji, num ano, elas fizeram o ninho nos banheiros, e uma outra vez na cozinha). Estes são fenômenos da vida cotidiana, e às vezes os fenômenos de antes do kalpa da vacuidade, mesmo que for muito difícil de admitir isso. É o estado do Dharma, esta forma também aparece no &#8220;Genjo Koan&#8221;. </font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Leitura e tradução de um extrato do capítulo do &#8220;Genjo Koan&#8221; da versão inglesa de Nishijima e Cross (volume 1, capítulo 3, p. 34):</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Se nós nos tornarmos familiarizados com a ação e voltarmos a este lugar concreto, em verdade, é evidente que as miríades de dharmas não são o eu. A madeira vira cinza, nunca mais pode voltar a ser madeira. Mesmo assim não devemos conceber a idéia que a cinza está situada no futuro e a madeira no passado. Lembrem-se o fogo permanece no lugar do fogo no Dharma. Existe um passado e um futuro. Se bem que haja um passado e um futuro, o passado e o futuro estão separados. Se a madeira, depois de ter se tornado cinza, não volta a ser madeira, da mesma forma, os seres humanos, depois de ter morrido, não mais ressuscitam. </font></p>
<p style="margin-left: 1.25cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Aqui está sendo tratada a questão de <em>fumetsu</em>, ou seja, a &#8220;não destruição&#8221;. Em geral o que acontece é que primeiramente vemos a madeira, depois, constatando que queima, que ela vira cinza. Contudo, Dogen Zenji explica isto: sim, existe o antes e o depois, mas esta ação se passa antes deste corte, é uma ação completamente autônoma, é o estado de cada fenômeno. O problema é ainda aquele da dualidade. Esta madeira e cinza estão aqui falando da vida e da morte.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Em geral nós achamos que o espírito é eterno e que o corpo, composto dos quatro elementos e dos cinco <em>skandhas</em> morre e se desintegra. Em seguida este mesmo espírito continuará a se manifestar se reencarnando. Para os budistas, esta crença em um renascimento é inaceitável porque este corpo e este espírito não podem ser separados. Se o espírito fosse viver eternamente, o mesmo deveria acontecer com o corpo. A crença na reencarnação é uma filosofia baseada na dualidade. Se bem que exista vida e morte, assim como existem madeira e cinza, o antes e o depois, nós não podemos separar a vida e a morte, o corpo e o espírito, a prática da realização porque este corpo e espírito são conjuntamente a vida e a morte ou simplesmente vida-morte. A única maneira de se liberar destas concepções filosóficas da dualidade é sentar em zazen. Praticar o zazen limpa o que está acumulado na consciência, a pré-consciência, e o inconsciente e permite entrar no estado de antes do kalpa da vacuidade, &#8220;antes do kalpa&#8221; não querendo dizer &#8220;voltar ao passado&#8221;, mas cortar a noz da árvore frutífera para ali achar o fruto no interior. Falar deste assunto antes de escutar o som aterrorizador é se aproximar do &#8220;No começo era o verbo&#8221;. O som aterrorizador é o trovão, é o momento do despertar onde toda idéia de dualidade se queda quebrada.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Agora nós vamos ler e traduzir o Eihei Goroku caso 234:</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p class="citação-">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Uma tentação diabólica</font></p>
<p class="c-citação-western">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Discurso na sala do Dharma</font></p>
<p class="c-citação-western">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Se você menear a cabeça, ainda não atingiu isto. O branco e o preto não estão diferentes. Quando você atinge isto se não menear a cabeça, lama e água ficam misturadas. Pouco me importa que o pilar de um templo salte sobre um bastão de um monge. Porque os seus narizes ainda estão em seus rostos? Se você compreender completamente isto, darão uma chicotada sobre o búfalo d&#8217;água de Gishan. Se ainda não esclareceram isto, que tentação diabólica empurrou vocês a deixar suas casas e percorrer o país para encontrar um mestre? Falem,e rápido.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Dizer que o branco e o preto não são diferentes, é o estado de antes do kalpa da vacuidade, mas também é &#8211; e este é um outro aspecto &#8211; a partir disto que nossa vida toma forma neste mundo. Da mesma forma, a lama, na expressão &#8220;a lama e a água estão misturadas&#8221; quer dizer que nós viemos a este mundo como lama, que nós entramos no arrozal como o búfalo que ajuda o camponês a trabalhar a terra a fim de plantar o arroz. Neste momento, todas as partes do corpo se lama e água.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Se tornar lama e água, é a imagem da grande compaixão que nos torna capazes de entrar em não importa que lugar neste mundo, mesmo os mais obscuros, difíceis, para ajudar aos demais, sem nos preocupar em ficarmos sujos ou sofrermos. Não creiam, todavia, que tal coisa seja um sacrifício, simplesmente você faz isto. É o <em>koan</em> de Mestre Isan. Um dia um monge perguntou a Mestre Isan: &#8220;Depois de sua morte, onde você irá?&#8221; Mestre Isan respondeu: &#8220;Depois de minha morte, renascerei como búfalo d&#8217;água, entre os vizinhos&#8221;.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">O começo de Eitai-ji é parecido como isto que Mestre Isan conta, o qual, como vocês sabem, era o tenzo de Mestre Hyakujo. Tendo sido informado que uma montanha por ali reunia todas as condições para estabelecer um mosteiro que poderia acolher mil e quinhentos monges, Mestre Hyakujo designou Isan para ir lá instalar o dito mosteiro.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Durante os primeiros quinze anos, ninguém veio e Isan vivia ali sozinho, se alimentando de castanhas ou de amoras silvestres, o que fez com que Mestre Dogen comentasse: &#8220;Imagine ficar ali sozinho numa noite de inverno que nevasse, que duro!&#8221; Então, de certa feita, ele começou a ter dúvidas, e decidiu descer o vale. Na metade do caminho ele se deparou com um tigre e lhe disse: &#8220;Assim é você a razão porque ninguém vem! Vá embora!&#8221; Mas, compreendendo que este tigre era um guardião do <em>Dharma</em>, ele fez meia volta e continuou com sua prática.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">No Brasil, nós tínhamos um mosteiro na montanha. Descendo para o vale acontecia que nos deparávamos com gatos selvagens, que nós apelidávamos de &#8220;os gatos da montanha&#8221;. Eram tão grandes que ao vê-los éramos obrigados a nos deter. Mas eles continuavam tranqüilamente a avançar e passavam por nós nos observando.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Neste mosteiro no Brasil, nós tínhamos dez hectares de plantação de bananas, o que era considerável. Era necessário se ocupar destas plantações, e todo este trabalho era feito usando o lombo dos burros. Nós cortávamos no cabo os cachos de bananas, que pesavam cerca de trinta quilos e nós a devíamos pegar antes que tocassem o solo. Em seguida, carregávamos os cachos em mochilas fixas dos dois lados dos burros e as levamos ao mosteiro. Na época eu era moço, mais forte, e trabalhava em todos os <em>samus</em>, o que não ocorre mais hoje em dia. Mestre Hyakujo quanto a si, continuou a trabalhar até uma idade muito avançada.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Sempre no Brasil, nós trabalhávamos nos campos de arroz. As moitas de arroz eram tão altas que não podíamos ver uns aos outros. Depois de cortar as moitas de arroz, as equilibrávamos por sobre a cabeça e lhes aterrissávamos em grandes cestas de bambu.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Tínhamos também jaqueiras, cujas frutas são de duas variedades, uma não comestível da qual se extrai o açúcar, e a outra chamada manteiga, que dava um fruto suculento, que derretia na boca. Estas frutas eram enormes e às vezes durante o zazen ouvíamos o barulho de suas quedas no chão (não era o canto do cuco, mas da jaqueira). Ora, mesmo estando em zazen, não podíamos deixar de ficar inquietos porque tínhamos treze ou quatorze vacas, e não sabíamos se chegaríamos primeiro do que elas para pegar a jaca! Claro, ali havia cobras venenosas, e também enormes aranhas caranguejeiras, de aspecto aterrorizador. Quando as vi pela primeira vez, fiquei boquiaberto. Aqui em Eitai-ji, temos um lugar muito calmo. </font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Fizemos um <em>sesshin Rohatsu </em>com quatro pessoas, fazendo de quatorze a dezesseis zazen por dia. Dois sentavam e dois passavam o <em>kyosaku</em>. De manhã estávamos de tal forma sonolentos que o livro de sutras se nos caía pelos dedos.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Para voltar ao <em>koan</em> do búfalo de água de Isan: Depois de algum tempo, os habitantes dos vilarejos situados na parte de baixo da montanha tomaram conhecimento que um monge vivia sozinho na montanha, e começaram a ajudá-lo, trazendo comida para ele. Graças a eles, ele conseguiu sobreviver. Havia, antes de pegar o caminho que levava ao mosteiro, uma velhinha que vendia seus produtos e quando via os monges que vinham praticar pela primeira vez, ela podia prever sem nunca se enganar se eles conseguiriam ficar ou desistiriam. Às vezes os monges vinham e lhe diziam: &#8220;Aqui a natureza é de tal beleza que vou ficar por aqui pelo resto de minha vida&#8221; e a velhinha dizia, &#8220;Uma semana&#8221;. </font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Quando Isan disse que queria renascer como búfalo d&#8217;água para ajudar às pessoas vizinhas suas, ele o disse motivado por um grande sentimento de compaixão e gratidão para com estes camponeses. Naquela época, onde não existiam quaisquer máquinas agrícolas, ter um búfalo d&#8217;água era indispensável para poder arar a terra. Isan acrescentou: &#8220;Meu nome estará marcado no flanco de um búfalo: se vocês virem um búfalo, perguntem a ele se se trata de Isan, ou se é simplesmente um búfalo d&#8217;água&#8221;. </font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Nos mosteiros situados na proximidade das grandes cidades, certos monges aguardavam a noite para sair do mosteiro sem serem vistos para ir para a cidade beber e cantar. Quando voltavam tarde da noite, de manhã se os podia ver sentando em zazen. Se perguntássemos a eles: &#8220;Vocês não acham que era um pouco tarde para sair?&#8221; Eles responderiam: &#8220;Mas eu devo absolutamente estudar este caso de Isan e do búfalo d&#8217;água&#8221;. É uma boa desculpa para ir beber fora do mosteiro.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Em Eitai-ji se vocês quiserem sair para beber, podem descer para o vilarejo na casa de Cristelle. Fica a dois quilômetros daqui, mas não esqueçam que depois de terem descido, será necessário escalar estes dois quilômetros de volta, será talvez um pouco difícil. Podem ir se quiserem, mas no dia seguinte tem que fazer o zazen como de costume. Estou brincando, naturalmente.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif" /><font size="3">Em conclusão, eu tomarei deste caso 234 que diz: Se vocês não compreendem, por que se tornar monge? Compreender é fundamental.</font></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Quinto Teishô do Sesshin de Junho de 2005 em Eitai-ji</title>
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		<comments>http://tokuda-igarashi.net/zen/index.php?p=181#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 08 Dec 2006 18:46:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
		
	<category>palestras / teishôs</category>
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		<description><![CDATA[TEISHÔ Nº5

Hoje, quinto dia do sesshin, vou continuar a falar do estado &#8220;antes do kalpa da vacuidade&#8221; tomando o capítulo &#8220;Bendoho&#8221; do Eihei Shingi, da tradução para o inglês de Shohaku Okumura (que traduziu igualmente o Eihei Goroku)

Leitura e tradução do começo do capítulo &#8220;Bendoho&#8221;, p. 63:

Todos os budas e ancestrais estão dentro do caminho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left" style="page-break-before: always"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3"><strong>TEISHÔ Nº5</strong></font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Hoje, quinto dia do sesshin, vou continuar a falar do estado &#8220;antes do kalpa da vacuidade&#8221; tomando o capítulo &#8220;Bendoho&#8221; do Eihei Shingi, da tradução para o inglês de Shohaku Okumura (que traduziu igualmente o Eihei Goroku)</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Leitura e tradução do começo do capítulo &#8220;Bendoho&#8221;, p. 63:</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Todos os budas e ancestrais estão dentro do caminho e ali engajados; sem o caminho, não se engajariam. O Dharma existe e eles aparecem; sem o Dharma não apareceriam. Por conseqüência, quando a assembléia está sentada, sente-se junto deles; ao cabo e ao rabo que a assembléia progressivamente se prolongue, prolongue-se igualmente. Na atividade e no repouso, sendo &#8220;um&#8221; com a comunidade, através de mortes e renascimentos não se separe do mosteiro. Ficar separado não traz nenhum benefício; ser diferente dos outros não é nossa conduta. Isto é a pele, a carne, os ossos e a medula dos budas e ancestrais, e é igualmente seu próprio corpo e mentes abandonado. Já que se engajar no caminho é a prática e iluminação antes do kalpa da vacuidade, por conseqüência não se preocupe com sua realização. É um <em>koan</em> antes do discernimento, tampouco aguardem a grande realização.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Todos os capítulos do Eihei Shingi falam essencialmente de disciplina, regras, menos este do &#8220;Bendoho&#8221; cujo começo fala do &#8220;anteriormente ao <em>kalpa</em> da vacuidade&#8221;. Nestas linhas que acabamos de ler, Mestre Dogen nos chama a atenção para o fato de praticar juntos, com a <em>sangha</em>. Este texto está dizendo que se assembléia está sentada, sente-se com ela, quando ela se levanta, levante-se com ela, quando ela se deita, deite-se também. É a prática de nossa escola Soto, que difere da prática (chamada <em>yaza</em>) da escola Rinzai, onde você pode se levantar e ir fazer zazen sozinho onde quiser. Por que a escola Soto não admite tal prática individual?</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Quando, depois de ter se tornado monge, você vem ao mosteiro durante alguns anos ou talvez por toda sua vida, você já está além de uma pessoa comum e já que está além de uma pessoa comum, é inútil praticar sozinho com o objetivo de se tornar uma pessoa especial, particular. Esta vida é a prática e realização antes do kalpa da vacuidade, que você seja realizado ou não, não quer dizer nada, porque você já está realizado. Mestre Dogen disse: &#8220;É o koan antes da aparição do tempo, antes da criação (também não esperem pela grande realização)&#8221;.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Este ponto de vista quanto à prática e realização é próprio de Mestre Dogen. Para que o zazen se torne o zazen, é suficiente simplesmente sentar, não sentar de forma formal, mas sentar naquele estado onde nada se busca, nada se espera, no estado onde si mesmo não existe, o estado onde se abandona o corpo e o espírito.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Quando Mestre Sawaki era jovem, ele praticava intensamente o zazen sozinho, dia e noite. Um dia seu mestre lhe disse: &#8220;Você é como uma pessoa que está com merda até o nariz que olha ao redor para saber quem peidou&#8221;. Naquele momento, Sawaki Roshi se perguntou do que exatamente seu mestre falava, mas depois de vários anos reconheceu como isso estava certo. Quando você pratica com o objetivo, por exemplo, de obter o <em>kensho</em> ou o <em>satori</em>, tal zazen ainda não é o zazen, é somente um método como outro qualquer. O zazen autêntico é a atividade de todos os budas, é o Buda sentado, é o estado onde se abandona todas as particularidades que nos são próprias, toda intenção, todo egoísmo, é sentar-se em <em>shikantaza</em> querendo dizer &#8220;O estado antes do kalpa da vacuidade&#8221; ou anterior à aparição da criação.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Quero agora tomar uma outra parte do Eihei Goroku, o caso 30:</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Dois versos dedicados a Chengzhong</font></p>
<p class="c-citação-western">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Depois que a bruma do caos se dissipa, as três forças aparecem,</font></p>
<p class="c-citação-western"><font size="3">Tão completas quanto a natureza original desta verdadeira pessoa.</font></p>
<p class="c-citação-western"><font size="3">As pessoas e as coisas funcionam perfeitamente, sem serem distintas umas das outras.</font></p>
<p class="c-citação-western"><font size="3">Não deixe que a mulher de pedra venere as três estrelas.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">&#8220;<font face="Garamond, serif"></font><font size="3">As três forças&#8221; que aparecem no primeiro verso do poema de Mestre Dogen são o céu, a terra e os humanos. Esta poesia quer dizer que não há necessidade de procurar o tempo da mulher de pedra, o que quer dizer: buscar o mundo antes que o céu e a terra se separassem é buscar um mundo inexistente. Querer conhecer a causa original é uma questão filosófica. Querer saber o que tinha sido o mundo antes que fosse criado, é buscar a mulher de pedra, é definir a realidade do instante presente como antes e depois, é estabelecer a dualidade. A não-dualidade é o kalpa da vacuidade. Como disse Dogen Zenji no &#8220;Genjo Koan&#8221;, &#8220;Faça de forma que você realize a verdade última&#8221;. </font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Leitura e tradução do &#8220;Genjo Koan&#8221;, da versão para o inglês de Nishijima &#038; Cross (volume 1, capítulo 3, p. 33):</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Quando todos os dharmas são vistos enquanto Dharma de Buda, então existe a ilusão e realização, existe a prática, existe a vida e a morte, existem os budas e os seres comuns. Quando cada um dos dharmas entre os muitos Dharmas estão vazios de ego, não existe ilusão, não existe realização, não existem budas e não existem seres comuns, não existe vida e não existe morte. Na origem, a verdade do Buda transcende a abundância e a falta, e é por isso que existe a vida e a morte, a ilusão e a realização, existem seres e os budas. Se bem que isso seja assim, as flores, mesmo que as amemos, tombam; e as ervas daninhas, mesmo que as detestemos, crescem.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Aqui se fala precisamente da prática num mosteiro, que consiste a se deitar quando todo mundo se deita. Se deitar quando os demais se deitam, é praticar com o espírito do kalpa antes da vacuidade. É muito difícil reconhecer que a realização não é nada mais do que isso. Porque passamos nossa vida a esperar tempos melhores, a esperar por algo que se produza, nós perdemos. Dogen Zenji disse: Vocês se enganam ao abandonar seus <em>zafus</em> para ir embora em peregrinação, por exemplo, ao Japão, crendo poder achar ali a prática verdadeira, um mestre autêntico, quando o mestre é você mesmo. Você é &#8220;um&#8221; como na postura do lótus, mas você mesmo não sabe disto. De fato, você é como o filho do mercador rico descrito no Sutra do Lótus, que deixa sua família que é abastada para ir à procura de riquezas que crê poder encontrar em rincões muito distantes, para finalmente voltar para perto de seu pai e reconhecer que possuía, sem saber, uma grande riqueza.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Neste estado de antes do kalpa da vacuidade, não existe dualidade, não existe tempo, existe somente este corpo. Esta prática que nós fazemos é a prática da manifestação do kalpa da vacuidade.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Bankei Zenji, um mestre japonês, criou uma escola zen chamada <em>fusho zen</em> &#8220;O zen do não-nascido&#8221;. Ele dizia que tudo está resolvido se tão somente tivermos este espírito de buda, &#8220;o espírito de buda&#8221; querendo dizer segundo ele o &#8220;não-eu&#8221;. Estar simplesmente no estado de buda sem querer se tornar buda já que somos já buda, é o estado de <em>fusho</em>. Bankei Zenji fez muitos sermões a leigos sobre este assunto, mas infelizmente, sua escola se extinguiu, não houve transmissão.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Se bem que não tenha nada a ver com o que dissemos, existe um outro tipo de zen, chamado <em>nio zen</em>, &#8220;guardião da entrada principal&#8221;. Na porta de um templo podemos ver este guardião bem como duas divindades representadas uma com a boca aberta, o que quer significar o som A, a outra com a boca fechada, o que significa o som <em>om</em>, ou seja <em>aum</em> (amen por inferência), o primeiro e o último som, o alfa e o ômega, começo e fim.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">A postura deste guardião é como aquela do samurai: quando ele vai atacar, ele ataca sem pensar, porque se naquele momento do ataque ele for pesar os prós e contra, ele perde. Combater sem pensar antes é, me parece, o estado de <em>fusho</em>. Muitos se enganam sobre a noção do <em>shikantaza</em> &#8220;somente zazen&#8221;, a confundindo com uma prática que quer obter resultados. No &#8220;Fukan-zazengi&#8221; Mestre Dogen descreve muito precisamente esta postura, que Mestre Deshimaru compara à postura do dragão, se poderia dizer como uma serpente armada, pronta para o ataque. É preciso estar sentado como uma montanha &#8211; sua coluna vertebral estando reta como uma montanha &#8211; os dois joelhos se apoiando no chão, empurrar o céu com o parte de cima da cabeça, e assim se tornar o centro do universo. Este é o zazen verdadeiro descrito no &#8220;Zanmai ô zanmai&#8221;. </font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Na escola Shingon que eu não conheço muito, eles têm também esta prática de <em>fusho</em>, baseados na letra A, que quer dizer o primeiro som deste mundo. É tão interessante falar da realização da palavra, que falar da realização do caminho.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Quando Meister Eckhart fala de &#8220;antes da criação&#8221;, &#8220;além da criação&#8221;, nisto ele se aproxima muito do zen, de onde provém seus aborrecimentos com a inquisição. Estudar Meister Eckhart profundamente tomaria muito tempo, mas eu gostaria de falar sobre seu comentário intitulado: Stabat Mater: quando Jesus estava na cruz, sua mãe estava entre a multidão e o observava. Ela o observava sem contudo se lamentar, estava com uma postura ereta, e foi neste momento que Jesus disse, &#8220;Meu deus, por que me abandonaste?&#8221; Nesta situação, Jesus era uma pessoa que sofria e que simultaneamente se encontrava no estado do não-nascido. O mesmo valia para Maria: seu sofrimento era tal que seu coração estava partido, mas porque estava ereta, ela estava naquele momento no &#8220;estado de antes do kalpa da vacuidade&#8221;. Existem pois estes dois aspectos: um, o humano, do fato de nossa encarnação, o outro é a continuidade, ou seja, este estado de antes do kalpa da vacuidade.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Nós achamos erradamente que se tornar &#8220;um&#8221; consiste de reunir duas coisas parecidas, quando na origem não existe senão este &#8220;único&#8221;, este &#8220;um&#8221;. Se você busca algo como a mulher de pedra, ou a essência verdadeira, vocês estão buscando algo que não existe fora dos quatro elementos e cinco <em>skandas</em>. Este corpo, que nasceu e que morrerá, é não-nascido, indestrutível. Todas as manhãs nós cantamos <em>fu sho fu metsu fu </em>(nem nascimento nem morte, parte do Hannya shingyo). No &#8220;uno&#8221; existem dois aspectos, mas este &#8220;uno&#8221; está no interior de um outro, não separado. É buscando as respostas com um espírito filosófico que aparecerá a dualidade. É o que ensinam Dogen Zenji e Meister Eckhart. Meister Eckhart utiliza a metáfora de uma dobradiça, que estando imóvel, permite que a porta se feche e se abra, ou seja, um movimento acionado pela imobilidade. De um lado isto não se move, de um outro lado, isto se move constantemente. É o <em>koan</em> de Fuyo Dokai &#8220;As montanhas azuis se movem constantemente&#8221;. Em princípio, a montanha não se move, mas aqui, não somente ela se move, mas também se move constantemente. Esta mulher de pedra não pode ter filhos, mas mesmo assim dá a luz constantemente. Que esta mulher de pedra dê nascimento, somente a prática nos pode fazer compreender realmente, não há explicação que seja suficiente. Quando nós falamos de algo, imediatamente tombamos em outro pensamento. Estar no estado de antes do não-nascido, é o que representa esta letra A, é também o momento quando Jesus Cristo é com Deus antes da criação.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
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		<title>Quarto Teishô de junho de 2005 em Eitai-ji</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Dec 2006 18:45:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Giorgia</dc:creator>
		
	<category>palestras / teishôs</category>
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		<description><![CDATA[TEISHÔ Nº4


Vamos reler o começo do &#8220;Sansuikyo&#8221; da tradução para o inglês de Nishijima e Cross (Volume 1, capítulo 14, p. 167):

As montanhas e rios deste presente são a realização das palavras dos velhos budas. Os dois (montanhas e rios) permanecem no Dharma, depois de ter realizado a virtude última. Porque estão no estado anterior [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left" style="page-break-before: always"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3"><strong>TEISHÔ Nº4</strong></font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Vamos reler o começo do &#8220;Sansuikyo&#8221; da tradução para o inglês de Nishijima e Cross (Volume 1, capítulo 14, p. 167):</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p class="c-citação-western"><font size="3">As montanhas e rios deste presente são a realização das palavras dos velhos budas. Os dois (montanhas e rios) permanecem no <em>Dharma</em>, depois de ter realizado a virtude última. Porque estão no estado anterior ao <em>kalpa</em> da vacuidade, são a atividade vigorosa no presente. São ambas o si mesmo antes da emergência da criação, são a liberação verdadeira. As virtudes das montanhas são tão altas e extensas que realizamos sempre a virtude moral que pode cavalgar as nuvens se apoiando nas montanhas, e sem falta jamais, liberaremos a função sutil que nos permite seguir o vento nos apoiando nas montanhas.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Esta primeira parte do capítulo é muito simbólica, poética, mas difícil de ser compreendida.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Agora vamos abordar o caso 8 do Eihei Goroku:</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Os noventa dias da grande paz</font></p>
<p class="c-citação-western">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Reunião informal para a abertura (ou começo) da prática do período de verão</font></p>
<p class="c-citação-western">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Mestre Cihang (Fapo) era um verdadeiro mestre na linhagem de Huanglong. Quando ele residia no templo das Quatro Claridades no monte Tiantong, quando duma reunião informal para a abertura da prática do período de verão, ele disse: &#8220;Os praticantes do zen devem ser de forma que seus narizes estejam direitos em seguida devem ter vistas claras e brilhantes. Em seguida devem dar valor ao fato de penetrar ao mesmo na essência e na expressão dela. Depois de terem realizado tal coisa, eles atingem paralelamente a capacidade energética e sua função, em seguida penetram budas e demônios, o si mesmo e o outro chegando juntos. Por que isso? Quando o nariz está direito, tudo está direito. É como uma pessoa que mora numa casa; se o mestre está direito, todos que estão abaixo dele naturalmente se transformam. Então, como podemos fazer de sorte que nosso nariz esteja direito? Um velho sábio (Huangbo) disse: &#8220;Sejam determinados a não afundar ao fluxo de um segundo pensamento e vocês terão penetrado na porta essencial&#8221;. Não será esta a norma para vocês que se aproximam de seus si mesmos verdadeiros antes que seus pais tenham nascido?&#8221; Em seguida ele disse: &#8220;O longo período de noventa dias começa amanhã. Suas práticas não devem se separar de suas linhas de conduta&#8221;. </font></p>
<p class="c-citação-western">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Dogen, aquele que ensina, disse: Se bem que um antigo sábio tenha dito: &#8220;Sejam determinados a não afundar no fluxo de um segundo pensamento&#8221;, eu, Eihei, digo também: &#8220;Estejam determinados a não afundar no fluxo de um primeiro pensamento; estejam determinados a não afundar no fluxo do não-pensamento. Se cada um de vocês praticarem e estudarem assim, vocês finalmente alcançarão aquilo.</font></p>
<p class="c-citação-western">
<p class="c-citação-western"><font size="3">Nesta noite eu, Eihei, não recuso o karma das palavras, e vos digo a todos: o longo período de noventa dias começa amanhã. Suas práticas não devem se separar de suas linhas de conduta. Sentem-se sobre as almofadas, desapegados de outros assuntos; durante todo o dia, silenciosamente, de forma serena apreciemos a grande paz.</font></p>
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<p style="margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Aqui se trata do sermão dado na véspera do <em>ango</em>. Neste texto (do Mestre Cihang) nós encontramos novamente a expressão: &#8220;Antes que seus pais tivessem nascido&#8221; e em seguida &#8220;Antes que aparecesse um segundo pensamento&#8221;. Mas Dogen Zenji acrescenta: nem sequer um segundo pensamento, nem ainda um primeiro pensamento, nem o não pensamento, querendo também dizer, &#8220;Antes do kalpa da vacuidade&#8221;, ou nós poderíamos dizer, antes da aparição do pensamento, da memória, das lembranças não importa quais sejam. O Zazengi fala da necessidade de esclarecer o funcionamento do espírito. Em primeiro lugar está o <em>shiryo</em> &#8220;pensar&#8221;, em seguida o <em>fushiryo</em> &#8220;não-pensamento&#8221; e finalmente <em>hishiryo</em> &#8220;além do pensamento&#8221;. Como voltar a este estado de antes que tivéssemos nascido? É a via negativa, como dizia São João da Cruz &#8220;a noite dos sentidos&#8221;, a noite da consciência, a noite do espírito, o que implica na passagem da purificação, é o caminho que leva ao retorno. Na negativa, estaremos contaminados pela dualidade e pela temporalidade.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">No &#8220;Zazengi&#8221; escrito pelo Mestre Dogen, está dito que o nariz devia estar vertical e os olhos horizontais, eis tudo e nada mais. Todavia, quando compreendemos esta essência do ensinamento, é necessário exprimi-lo àqueles que seguem o mesmo caminho que nós. A capacidade de transmitir esta experiência prova que a pessoa já é um mestre. A energia da realização realmente funciona e de outra parte, este retorno à origem apaga em você toda idéia da existência de um ego, se bem quem você pode resolver não importa qual dilema com toda liberdade.</font></p>
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<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">O que significam estas expressões: &#8220;antes do primeiro pensamento&#8221; e &#8220;não ter um segundo pensamento&#8221;? É muito simples: se trata de fazer, mas de fazer sem fazer. Por exemplo, se o Mestre diz para fazer de um jeito, você deve fazer daquele jeito, simplesmente isto, e se ele disser para não fazer, então você não faz. Se bem que isto pareça muito simples, invariavelmente nós responderemos: &#8220;De acordo, mas por que fazer desta forma? Por que não fazer de outra forma?&#8221;</font></p>
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<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Ir ao mosteiro é a primeira regra para um monge, e além disso para obter a ordenação é necessário no mínimo ter permanecido durante três meses no mosteiro.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Quando Mestre Dogen diz que é bom entrar na montanha (a montanha querendo dizer o mosteiro), em espírito você não percebe nenhum obstáculo, você acha fácil de ir lá, mas no momento de tomar a decisão de partir, encontra subitamente inumeráveis razões para não ir, você diz a si mesmo que entrar na montanha é muito difícil. Primeiro obstáculo: &#8220;Sem dinheiro, como poderei sobreviver? É impossível, não posso ir para lá&#8221;. Ou ainda, &#8220;Tenho uma família a qual não posso abandonar, tenho um trabalho&#8230;&#8221; tudo isso é exatamente &#8220;o segundo pensamento&#8221;. </font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Em japonês um monge é chamado <em>shukke</em> &#8220;aquele que saiu de casa&#8221;, mas quando você compreende que a casa não é a casa, você sai de casa para viver em casa. Esta crítica não está endereçada a vocês, mas a mim mesmo. Tudo isso nós o compreendemos muito bem, mas não o podemos realizar porque existem tantos &#8220;segundos pensamentos&#8221; que fazem um obstáculo, tantas razões para não entrar na vida monástica. Esta montanha, este mosteiro, não são somente uma montanha ou um mosteiro concretos, quando entramos na montanha sem termos os olhos ou nariz da postura de zazen, nos tornamos animais se sermos capazes de nos auto-controlar. Na realidade sentar-se assim em zazen é a manifestação e a realização de si mesmo antes do <em>kalpa</em> da vacuidade.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Vocês se lembram do sexto patriarca Hui-neng que, depois de ter recebido a transmissão do Dharma fugiu para a montanha, perseguido por numerosos discípulos do quinto patriarca. Todos aqueles monges desistiram no caminho exceto um, um homem corpulento que tinha sido general, e que havia subido até o cume da montanha para pegar o <em>okesa</em> de Hui-neng. Então Hui-neng depositou o <em>okesa</em> diante dele, sobre um rochedo e disse a Houei-ming que o havia alcançado: &#8220;Este <em>okesa</em>, transmitido há várias gerações de buda para buda é somente um símbolo, se você quiser, pode pegá-lo&#8221;. Dizem que a despeito de todos seus esforços, o monge Houei-ming não pode levantar o <em>okesa</em> que havia se tornado tão pesado quanto um rochedo. Subitamente tomando consciência da leviandade de sua ação, humildemente se inclinou diante do Sexto Patriarca e lhe disse: &#8220;Não quero este <em>okesa</em>, mas por favor, me ensine o caminho&#8221;. </font></p>
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<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Do ponto de vista simbólico e psicológico, o <em>okesa</em> transmitido desde o Buda Shakyamuni é não somente um tesouro nacional, mas também algo de muito importante no que nos toca, e daí a vontade de o agarrar, de pegá-lo, se bem que na realidade se trata somente de um símbolo.</font></p>
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<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Hui-neng disse a Houei-ming: &#8220;Qual é seu rosto original quando você não pensa? Não pense nem no bem nem no mal&#8221;.</font></p>
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<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Não pensar nem no bem nem no mal, isso é o primeiro pensamento; pensar no não pensamento, é voltar à origem, antes que aparecesse a partícula mais ínfima de criação. Todavia, cortar o pensamento durante o zazen é muito difícil, porque este pensamento está sempre em movimento, como um fluxo de água.</font></p>
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<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Quando nós nos sentamos a cada mês para o <em>sesshin</em> de uma semana, durante o primeiro destes sete dias ainda estamos impregnados do que deixamos para trás de nós, mas já no segundo dia, a despeito de toda dor nas pernas, nas costas (e eu posso constar isso), seus zazen melhoram, e uma vez tendo domado seus corpos, podem então entrar mais profundamente. Para um monge, esta prática de zazen é primordial: quanto mais você sentar, mais pode melhorar, e se torna muito naturalmente um bom monge zen. Nos dias de hoje, nossa tendência é privilegiar o estudo com o detrimento da prática, ou então praticar essencialmente cerimônias porque são uma fonte de dinheiro. Se bem que poucos monges amem esta prática de zazen, sem ela, como seria possível transmitir um ensinamento? Tal transmissão nada mais seria que algo teórico. Sem uma prática constante a energia que se manifesta no momento exato não aparece. Praticar sozinho é muito difícil, mas graças a esta congregação de monges &#8211; nem que seja somente duas ou três pessoas &#8211; o <em>sesshin</em> pode tomar lugar.</font></p>
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<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Leitura e tradução do Eihei Zengi Goroku (47):</font></p>
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<p class="c-citação-western"><font size="3">Erro depois de erro além da dualidade</font></p>
<p class="c-citação-western">
<p class="c-citação-western"><font size="3">No comunidade de Jingzhao Mihu, um monge perguntou a seu irmão de Dharma Yanshan: &#8220;As pessoas de nossa época necessitam ou não do despertar?&#8221;</font></p>
<p class="c-citação-western"><font size="3">Yanshan disse: &#8220;Não é que não exista o despertar: mas como fazer para não tombar na dualidade?&#8221;</font></p>
<p class="c-citação-western"><font size="3">O monge voltou e contou isso a Mihu, que o confirmou profundamente.</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">O caso 47 do Eihei Goroku diz que o erro sucede o erro. Mas nós vimos anteriormente que se a base estiver errada, o resultado será irremediavelmente errado. O mais difícil é crer, aceitar, que esta prática é iluminação e realização porque pensamos constantemente que existe algo além do fato de estarmos sentados e é por isso que sofremos, e duvidamos, como nos lembra Dogen Zenji em um dos capítulos do Shobogenzo. De fato, praticamos tudo tecendo idéias sobre o que possa ser tal realização e se chegamos à realização, não será uma realização verdadeira já que ela não é o que se pode imaginar. É como avançar um passo para a frente e dois para trás, não somente não se progride mais, muito pelo contrário, regredimos. É por isso que Dogen Zenji diz: &#8220;Olhem para os seus pés, o lugar onde vocês estão&#8221;.</font></p>
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<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Através desta prática nós podemos ver se um monge, depois de tantos anos de sentar, é realmente um monge. Quando podemos aceitar profundamente esta idéia de que a prática é a realização, então quando estamos sentados sem zazen, neste momento este zazen se torna um verdadeiro zazen. Se vocês podem sentar desta forma, se tornar &#8220;uma só coisa&#8221; com o universo, esquecer de tudo que cerca vocês, neste momento, vocês verão seus rostos originais antes que seus pais tivessem nascido, ou antes do kalpa da vacuidade. Aqui chegados, a idéia de um si mesmo, de um ego, desaparece completamente e se você não tem mais ego, então você está em todas partes.</font></p>
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<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">As primeiras linhas do &#8220;Sansuikyo&#8221; dizem que as montanhas, rios são neste momento absoluto a realização das palavras dos budas antigos e realizados. Sentados desta forma, este <em>zazen</em> não é mais um simples <em>zazen</em>, é <em>zanmai ô zanmai </em>&#8220;o <em>samadhi</em> rei dos <em>samadhis</em>&#8221;, que nos permite entrar livremente no mundo do buda, no estado do buda, ou no estado do diabo, o que quer dizer que não importa qual seja a situação em que estejamos envolvidos, não importa em que dificuldades, podemos penetrar nestas dificuldades e resolvê-las. Se vocês tomarem esta decisão de crer verdadeiramente que a prática é a realização, então tal prática se tornará um pilar em suas vidas, e a transmissão chegará do leste para o oeste, secretamente, &#8220;secretamente&#8221; querendo dizer &#8220;intimamente&#8221;, a saber o que vocês são realmente. A ausência de ego é o primeiro ensinamento do Buda.</font></p>
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<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Antes de terminar, gostaria de colocar uma última pergunta: &#8220;O que é a transmissão?&#8221;</font></p>
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<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm"><font face="Garamond, serif"></font><font size="3">Quando o mestre envelhece, às vezes fica um pouco senil. Depois de ter envergado seu <em>kesa</em>, quando ele coloca seu <em>zagu</em> no antebraço esquerdo, às vezes se engana e o coloca no direito. E o discípulo que o observa percebe isto e muda o seu rapidamente para o colocar no braço direito. Se vocês chegarem a ter tal relação particular entre mestre e discípulo, então estão prontos para receber a transmissão do Dharma. Mas bem, não é o que ocorre absolutamente&#8230;</font></p>
<p style="margin-left: 0.05cm; margin-right: 0.11cm">
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